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O JOVEM RICO


" E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus." (Mateus 19:16-23)

1. O jovem em questão entrou em cena na última viagem de Jesus a Jerusalém. Lucas nos informa que se tratava de uma pessoa de alta posição: "E perguntou-lhe um certo príncipe...", Lc 18.18. A palavra "príncipe" no original é "arcwn" (archon), que significa "governador", "comandante", "chefe", "líder", o que nos mostra que se tratava de alguém muito importante, dentro da sociedade judaica. Além disso, a Palavra de Deus nos fala ainda, que se tratava de alguém muito rico, uma vez que possuía "muitas propriedades".

 

2. Fato digno de nota é ele ter vindo ao encontro do Senhor. Com certeza já ouvira falar da vida e ministério de Jesus, ou quem sabe, até mesmo, presenciado alguns dos seus milagres e sinais, o que o levou a sentir uma grande atração pelo Mestre. Foi até Jesus esperançoso para fazer a pergunta mais importante que alguém poderia fazer Vamos ver algumas atitudes comprometedoras deste moço, demonstradas em sua conversa com o Senhor:
 

I. FEZ UMA PERGUNTA DE GRANDE IMPORTÂNCIA, MAS SEM ESTAR DISPOSTO A ASSUMIR UMA POSIÇÃO              
 

1. É possível que a grande pergunta tenha sido feita, em razão do conhecimento prévio que o jovem tinha da pessoa de Jesus. Ao ver as realizações do Senhor, chegou à conclusão de que Ele ensinava o caminho correto para a entrada no reino de Deus. Daí, a sua pergunta significativa – "Bom mestre, que farei para conseguir a vida eterna"? Tal pergunta revelou seu imenso desejo de fazer parte do reino! Sua intenção era correta, embora não soubesse aproveitá-la.
 

2. Não basta ao pecador fazer perguntas acerca da salvação, é necessário abraçá-la, crer no sacrifício realizado pelo Filho de Deus, recebendo-O no coração. Somente assim podemos alcançar a vida eterna e fazer parte da família de Deus. João disse: "11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome", Jo 1.11-12. Somente nos tornamos "filhos de Deus" com direito a vida eterna, através da fé em Cristo!
 

3. O plano de Deus para salvação envolve a fé, o crer. Vejamos alguns textos na Palavra de Deus, que nos esclarecem melhor esta verdade:

a) Mensagem inicial do Senhor, Mc 1.15, "E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho". Observe a ênfase da mensagem de Cristo – "arrependei-vos e crede". Sem arrependimento e fé não é possível tornar-se participante do Reino de Deus.


b) Paralítico de Cafarnaum, Mt 9.2, "E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo, perdoados te são os teus pecados". Ao ver aqueles quatro homens trazendo o paralítico para ser curado, Jesus tocou no ponto mais importante da vida daquele homem – seus pecados. De nada adiantaria a cura, se seus pecados não fossem perdoados! O perdão de pecados só é possível através da fé e arrependimento.
 

c) Mulher Hemorrágica, Mt 9.22, "E Jesus, voltando-se, e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E imediatamente a mulher ficou sã". Aqui Jesus observou a grande fé daquela mulher em desespero. Ela estava correndo atrás de sua cura há muitos anos! O seu toque nas vestes do Senhor revelou também uma fé para salvação, daí a palavra de Jesus: "...a tua fé te salvou".
 

d) O leproso que voltou para agradecer a cura, Lc 17.19, "E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou". O contexto desta passagem nos mostra dez leprosos que vieram ao encontro do Senhor, rogando a cura. Obedecendo aos princípios legais daquele tempo, Jesus os enviou aos sacerdotes para exame e constatação, o que indo eles, ficaram devidamente curados. Um deles, ao voltar para agradecer, foi agraciado por Cristo com a salvação, mediante a fé – "...a tua fé te salvou".
 

4. Em todos os casos acima pudemos ver que, devido a fé demonstrada pelos personagens envolvidos, Jesus lhes garantiu "perdão de pecados" e consequentemente a salvação. Para alcançarmos a salvação não basta nos interessarmos por ela fazendo perguntas. É imprescindível que abracemos a Cristo e a Palavra de Deus pela fé, dispostos a nos arrepender de nossos pecados. Esta foi a mensagem dos apóstolos: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor", At 3.19.
 

II. REVELOU SER UM EXÍMIO RELIGIOSO, MAS NÃO UM CRISTÃO VERDADEIRO


1. Quando o jovem foi incentivado por Jesus a guardar os mandamentos, asseverou que os vinha guardando desde a sua mocidade. Sua conduta religiosa nos mostra claramente o quanto ele era preocupado com o destino de sua alma. Para tanto, procurava guardar os mandamentos instituídos pelo Senhor, através de Moisés.
 

2. Observe a lista de mandamentos citada pelo Senhor, e a afirmativa do jovem: "...Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo ...Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade...", vs. 18-20. Não podemos acreditar que sua afirmação fosse verdadeira, uma vez que ele, como qualquer ser humano, não tinha condições de guardar literalmente os mandamentos. Porém tal fato nos mostra o quanto o moço era preocupado em agradar a Deus.
 

3. Cremos que há muitas pessoas que agem da mesma maneira que agiu este moço. Na ânsia de agradarem a Deus, procuram praticar sua religião com uma disposição incrível – Dedicam-se a rituais, penitências, esmolas, etc., porém suas almas estão vazias de Deus!

O verdadeiro sentido da vida em Deus não é o fazer, mas o ser, embora como filhos de Deus devamos também praticar um cristianismo autêntico. Lembre-se: "...a fé sem obras é morta", Tg 2.26.
 

4. Vejamos alguns exemplos bíblicos:
 

a) Eunuco, "26 E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta. 27 E levantou-se, e foi; e eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração, 28 Regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. 29 E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro. 30 E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? 31 E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. 32 E o lugar da Escritura que lia era este: Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, Assim não abriu a sua boca. 33 Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; E quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra. 34 E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro? 35 Então Filipe, abrindo a sua boca, e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus. 36 E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? 37 E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus", At 8.26-37.
 

- Temos neste exemplo a vida de um homem – alto funcionário de Candace, rainha dos etíopes, que preocupado com sua vida espiritual viera a Jerusalém adorar a Deus, porém sem um verdadeiro discernimento do que de fato era servir ao Deus Vivo.

Observe como Deus desviou Filipe de sua rota normal para mostrar ao homem o verdadeiro caminho para vida! Ao crer na Palavra de Deus, o eunuco pôde ser batizado e continuar o retorno para sua casa "jubiloso", v. 39.
 

b) Cornélio, "1 E HAVIA em Cesaréia um homem por nome Cornélio, centurião da coorte chamada italiana, 2 Piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus. 3 Este, quase à hora nona do dia, viu claramente numa visão um anjo de Deus, que se dirigia para ele e dizia: Cornélio. 4 O qual, fixando os olhos nele, e muito atemorizado, disse: Que é, Senhor? E disse-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus; 5 Agora, pois, envia homens a Jope, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro. 6 Este está com um certo Simão curtidor, que tem a sua casa junto do mar. Ele te dirá o que deves fazer", At 10.1-6.
- Cornélio, como o próprio texto nos informa, era centurião da coorte chamada italiana, comandante de um exército de cem soldados romanos. Era um homem "...piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus", v. 2. Todavia, mesmo tendo um procedimento religioso exemplar, isso não bastava para que ele desfrutasse da salvação de Deus. Houve necessidade dele obedecer a instrução do anjo e ir ao encontro de Pedro, para que este lhe trouxesse a palavra da vida. Ao crer, juntamente com seus amigos e familiares, observe o que Lucas, o escritor de Atos, disse: "...caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra", v. 44. O comportamento de Pedro, não poderia ser outro: "...Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?" (v. 47).


4. Tanto o eunuco, como Cornélio foram pessoas que se destacaram através de uma excelente conduta religiosa, porém desprovida da verdadeira vida em Deus. Houve necessidade de que o Senhor providenciasse alguém que lhes trouxessem a verdade, para que pudessem receber a vida eterna. Não basta sermos religiosos, precisamos ser cristãos! Alguém só se torna um cristão de fato, ao obedecer as verdades da Palavra de Deus!
 
III. QUERIA A VIDA ETERNA, MAS ERA APEGADO ÀS COISAS MATERIAIS


1. Quando o moço, depois de dizer a Jesus que estava guardando os mandamentos, perguntou o que ainda lhe estava faltando, Jesus lhe disse: "...Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me" (v. 21). Todavia, a Palavra de Deus nos informa que ele "...ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades", v. 22.
 

2. Com certeza, os bens materiais acabam se tornando um grande impedimento para aqueles que desejam a vida eterna. No dizer de Jesus não há como servir a Deus e ao mesmo tempo amar e servir as riquezas: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom", Mt 6.24. Observe a palavra grega que aparece no original (mammwnav – "mammonas"). Esta palavra tem a ver com "tesouros", "dinheiro", "riqueza personificada e oposta a Deus".
 

3. Vejamos como as Escrituras nos alertam em diferentes outros textos, como as riquezas e os bens materiais não nos trazem qualquer segurança, e ainda podem prejudicar nosso relacionamento com o Senhor:
 

a) As riquezas tornam a Palavra de Deus infrutífera (Parábola do Semeador) - "E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera", Mt 13.22. Veja como as riquezas podem seduzir uma vida ao ponto de "sufocar a Palavra", tornando-a "infrutífera". Quando recebemos a Palavra de Deus, precisamos dar condições para que ela possa trabalhar nossa vida, criando um ambiente onde somos abençoados e ao mesmo tempo abençoamos aqueles que estão ao nosso redor.
 

b) Não devemos depositar nossa esperança na incerteza das riquezas - "Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos", 1 Tm 6.17. Muitos há que depositam toda sua confiança nos bens materiais. Fazem de sua vida uma obsessão, onde a prioridade é ajuntar riquezas que lhes possam trazer segurança e tranqüilidade. Porém, Deus nos alerta sobre o grande perigo de depositarmos nossa esperança na "incerteza das riquezas". Devemos sim, confiar em Deus que "...abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos".
 

c) As riquezas podem ser apodrecidas e os bens materiais corroídos – "As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça", Tg 5.2. A palavra de Tiago é contra alguns ricos de seu tempo que se achavam seguros, protegidos, pela quantidade de bens materiais que tinham acumulado. Ele os convoca a "chorar", "lamentar", porque havia o risco de serem atingidos por uma grande miséria! O ouro e a prata que haviam ajuntado, seriam atingidos pela corrosão, num testemunho contra suas próprias vidas, transformando a abundância em caos!
 

4. Prevendo o risco de seus discípulos confiarem nas riquezas terrenas, Jesus asseverou: "19 Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; 20 Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. 21 Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração", Mt 6.19-21. Não é errado possuir bens materiais, mas precisamos colocá-los no seu devido lugar!

1. Da mesma maneira que aquele moço, há muitos que se comportam como grandes religiosos. Contudo, a verdadeira vida de Deus está ausente neles! Querem uma religião que satisfaça o ego, mas optam por permanecer descompromissados com o Deus a quem servimos. O verdadeiro cristianismo envolve compromisso sério, aliança eterna. Se almejamos servir a Deus, precisamos estar dispostos a entregar até mesmo a própria vida, se necessário for, em troca dos valores do reino. É por esta razão que Jesus disse: "Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á", Mt 16.25.
 

2. Qualquer pessoa que esteja envolvida com os valores deste mundo e não estiver disposta a renunciá-los quando necessário, não será candidata ao reino de Deus. Lembre-se do que Paulo nos falou com relação à sua própria postura, em face dos bens mundanos: "E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo", Fp 3.8. Observe que Paulo deliberadamente renunciou "todas as coisas", para viver o seu amor a Cristo. Colocando numa balança os valores que podemos ajuntar neste mundo e os valores que recebemos do Senhor, podemos ser solidários com Paulo! Certamente, os valores mundanos são "escória", "esterco", "porcaria", etc..

 


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